Renda extra: oportunidade de crescimento ou risco de sobrecarga?

Em um cenário econômico desafiador, a busca por fontes adicionais de renda tornou-se uma realidade para muitos brasileiros. Segundo a Pesquisa Nacional sobre Desigualdades 2024, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com o Ipec, aproximadamente 50 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais realizaram alguma atividade extra para complementar a renda nos últimos 12 meses, representando 31% da população nessa faixa etária.

 As atividades mais comuns incluem serviços gerais, como faxina e manutenção (8%), trabalhos manuais e produção de alimentos para venda (4% cada), serviços de beleza, vendas ambulantes e entregas por aplicativo (3% cada). A pesquisa também destaca que 37% das pessoas com renda familiar de até um salário mínimo (R$ 1.412) buscaram um serviço extra para completar a renda. 

Para o especialista em finanças Resende Neto, a decisão de buscar uma renda extra deve ser cuidadosamente avaliada. Ele destaca que, embora a renda adicional possa ser benéfica para muitos, é fundamental considerar a disponibilidade de tempo e a clareza dos objetivos.

 “Se a pessoa já está emocional e fisicamente esgotada, qualquer esforço extra tende a gerar mais estresse e frustração. A renda extra precisa fazer sentido, ter propósito e se encaixar na rotina de forma sustentável. Caso contrário, vira um fardo”, afirma Resende.

 Ele também alerta para os riscos de escolher atividades apenas pelo retorno financeiro, sem considerar afinidade ou habilidade. “Não adianta tentar fazer algo que você não gosta ou não sabe, como vender produtos ou atuar nas redes sociais, se isso não combina com você. O autoconhecimento é essencial para garantir leveza e continuidade”, ressalta.

Para quem tem pouco tempo ou dinheiro, Resende recomenda começar com atividades de baixo investimento e horários flexíveis, como revenda de produtos, prestação de pequenos serviços, marketing digital ou produção de conteúdo. “Testar, começar pequeno e validar a ideia são passos fundamentais. O erro é investir alto logo de início ou esperar retorno imediato”, aconselha.

 Além disso, ele destaca que a renda extra pode ser o primeiro passo para transformações profundas. “Muita gente que hoje empreende ou investe começou com algo paralelo. A segunda renda pode virar a principal, trazer realização e liberdade. Mas tudo começa com um teste, com um passo de cada vez, com disciplina e foco no propósito”, observa.

Resende enfatiza que a renda extra deixa de ser solução quando compromete a saúde, o tempo com a família e a paz. “Se ela está mascarando um problema maior, como descontrole financeiro ou consumo por impulso, é hora de parar e rever. A renda extra deve ser um caminho de expansão, não de exaustão”, conclui.

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