Nara Teles: Da dor à resistência

A professora piauiense que viralizou e transformou ataques em autoestima, cultura e coragem

A história de Nara Teles vai muito além de uma foto que viralizou. Natural de Simplício Mendes, no Piauí, professora, agente territorial de cultura pelo Ministério da Cultura e estudante, ela carrega na trajetória marcas profundas de perdas, superações e de um amor inabalável pela cultura afro-brasileira e indígena. Mãe de um menino de 6 anos, Nara também viveu a dor da perda de um filho, há quatro anos, quando um bebê de apenas dois meses faleceu. O luto a levou a enfrentar depressão, ansiedade e momentos extremamente difíceis.

Mas foi justamente na cultura e na convivência com seus alunos que ela reencontrou força, identidade e alegria de viver. Capoeirista iniciante, cantora por paixão e envolvida diariamente em atividades culturais, Nara transformou seu cotidiano em um espaço de cura e expressão.

A foto que viralizou: Autoestima, elogios… e a onda de ataques

A grande repercussão começou de forma despretensiosa. Durante um evento cultural em uma praça , um colega fotógrafo fez um registro de Nara. Naquele momento, ela se viu bonita e decidiu postar a imagem em suas redes sociais.

O que ela não esperava era o impacto: mais de 10 mil novos seguidores, centenas de elogios, mensagens carinhosas e uma enxurrada de comentários exaltando sua beleza e seu corpo real, forte e representativo.

Mas, como costuma acontecer na internet, junto com os aplausos também vieram os julgamentos.

Acusaram Nara de estar “inapropriada” para uma escola, afirmaram que ela queria chamar atenção e chegaram até a questionar sua moral como mulher e como mãe. Grande parte dos ataques, segundo ela, veio de homens muitos falando sobre seu peso, fazendo insinuações e até desrespeitando sua maternidade.

Mesmo assim, Nara não recuou.

“Comecei a ficar triste, mas depois entrei na onda. Respondi alguns com ironia.”

Além dos comentários agressivos, vieram também abordagens invasivas: homens oferecendo dinheiro por fotos íntimas e perguntando se ela tinha privacy. Um retrato claro da internet que tenta objetificar mulheres, especialmente quando são fortes, independentes e fogem do padrão imposto.

Do ataque à afirmação: A força de quem vive a cultura todos os dias

Apesar dos desafios, Nara escolheu transformar a situação em diálogo, visibilidade e autoestima. A foto viralizada abriu portas, trouxe novos seguidores e fez com que seu trabalho como professora e agente cultural alcançasse ainda mais pessoas.

Ela hoje usa suas redes para falar de cultura, ancestralidade, educação, corpo real, autoestima e também para denunciar o machismo e os julgamentos enfrentados por tantas mulheres brasileiras.

Para Nara, ser quem ela é já é um ato político e cultural: mulher nordestina, mãe, artista, professora, capoeirista e sonhadora que se reconstrói todos os dias.

E mesmo com a dor da perda e os desafios emocionais que ainda enfrenta, ela segue firme — encontrando na arte e no afeto das salas de aula um novo sentido para viver.

Uma mulher real, forte e que merece ser vista

A história de Nara Teles representa milhares de mulheres que lutam diariamente contra o preconceito, a gordofobia, o moralismo e o machismo. E também representa resistência, beleza real, coragem e cultura.

E se a internet tentou diminuir, o destino fez o contrário: a foto que tinha tudo para ser apenas um registro virou símbolo da força de uma mulher que não se curva — e que segue construindo autoestima, identidade e inspiração para muitos.

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