Envelhecimento ativo: público 50+ se consolida como fronteira de crescimento das academias

Segmento acima de 50 anos apresenta retenção e ticket médio superiores ao perfil tradicional de alunos, e desponta como aposta de crescimento sustentável para academias de maior porte.

O público acima de 50 anos vira aposta de expansão para o mercado fitness brasileiro. A razão é simples: retenção mais alta e ticket médio maior do que o perfil tradicional de alunos mais jovens.

O Brasil tem 41.332 academias ativas e 13,65 milhões de membros, com penetração de 7% da população, segundo HFA 2025 Global Report e CONFEF (Conselho Federal de Educação Física). Ainda assim, o segmento 50+ permanece sub-representado dentro dessa base, mesmo sendo a faixa etária que mais cresce em expectativa de vida e capacidade de consumo.

Dados da PNAD Contínua do IBGE, divulgados em agosto de 2025, mostram que pessoas com 60 anos ou mais já representam 16,1% da população brasileira, cerca de 34,1 milhões de pessoas. Os brasileiros com 65 anos ou mais somam 11,2% da população total, aproximadamente 23,7 milhões. A pirâmide populacional do país passa por mudança irreversível, e gestores do setor avaliam como capturar essa demanda emergente.

Por que a operação das academias ainda não atende ao público 50+?

A grade de horários, as modalidades e a comunicação das academias, muitas vezes, seguem voltadas para frequentadores entre 20 e 40 anos, com foco em resultados estéticos e treinos de alta intensidade. O público mais maduro busca outra coisa: prevenção de doenças crônicas, manutenção da autonomia funcional e qualidade de vida prolongada. São motivações que tendem a gerar maior constância na frequência. O fenômeno aparece também fora do Brasil. No Reino Unido, o Active Lives Adult Survey 2023-2024 mostra que 25% da população adulta inglesa, cerca de 11,8 milhões de pessoas, pratica menos de 30 minutos de atividade física por semana, um contingente que representa oportunidade de captação para o setor à medida que envelhece.

Por que o público 50+ tem retenção e ticket médio mais altos?

A motivação vinculada à saúde se mostra mais estável que objetivos estéticos de curto prazo, e isso muda o comportamento de consumo. Academias que direcionam estratégias para o público 50+ sentem essa diferença na prática: retenção mais alta e ticket médio superior, refletindo disposição para investir em acompanhamento personalizado e modalidades específicas. Nos Estados Unidos, segundo o Relatório de Saúde e Fitness do Consumidor de 2023 da IHRSA (atual HFA), adultos com 65 anos ou mais já frequentam academias e estúdios com mais regularidade do que qualquer outra faixa etária do país. Maturidade, nesse caso, não é sinônimo de menor engajamento.

O que precisa mudar na operação das academias para atender esse público?

Modalidades de baixo impacto, profissionais capacitados para lidar com limitações físicas, uma jornada de entrada mais acolhedora e uso inteligente de dados para acompanhar a evolução e antecipar possíveis desistências. Não basta criar uma aula de ginástica localizada no meio da manhã: a adaptação precisa ser estrutural. Academias que investem em tecnologia de gestão conseguem, por exemplo, identificar padrões de frequência e intervir antes que o aluno abandone.

A Pacto Soluções, empresa brasileira de tecnologia para gestão de academias especializada em dados operacionais de redes fitness, monitora essa movimentação a partir das informações de operação de seus clientes. A análise da Pacto Soluções indica que o público 50+ deixou de ser um nicho para se consolidar como uma importante fronteira de crescimento sustentável para o setor. Essa tendência é particularmente relevante para academias com mais de 500 alunos, que buscam previsibilidade de receita e menor dependência de campanhas sazonais de captação.

Para a Pacto Soluções, o dado reforça uma leitura de mercado: crescimento sustentável hoje passa menos por captação agressiva de alunos jovens e mais por reter e servir bem quem já frequenta a academia há anos.

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