Minha Casa Minha Vida vira “porto seguro” da construção residencial, diz Safra; veja por que o setor segue resiliente

Para analistas do Safra, a queda na Bolsa não apaga os fundamentos do setor. Demanda estrutural e acesso ao crédito mantêm a habitação popular no radar

Mesmo em um cenário de maior volatilidade no mercado financeiro, a construção residencial voltada à habitação popular segue mostrando sinais de resiliência. Análise publicada pelo Banco Safra aponta que, apesar da queda recente das ações de construtoras na Bolsa, os fundamentos do setor permanecem sólidos, especialmente entre empresas ligadas ao Minha Casa Minha Vida.

Segundo os analistas do Safra, os papéis de construtoras chegaram a recuar entre 30% e 35% desde os picos recentes, em meio à reprecificação de riscos globais e a um ambiente ainda marcado por preocupações inflacionárias. Ainda assim, a avaliação é que o movimento de queda não reflete necessariamente uma piora estrutural da demanda por moradia.

O principal ponto de sustentação está no Minha Casa Minha Vida. De acordo com a análise, o programa segue como uma importante fonte de retorno para o setor, com menor sensibilidade aos juros, níveis elevados de acessibilidade e mercado endereçável ainda amplo.

Embora o relatório do Safra tenha como foco companhias listadas na Bolsa, a leitura ajuda a explicar um movimento mais amplo da construção residencial no Brasil: a habitação popular continua apoiada por fatores estruturais, como déficit habitacional, necessidade de moradia em regiões urbanas consolidadas e busca por condições de financiamento mais compatíveis com a renda das famílias.

Criada em 2017, a Mundo Apto atua no desenvolvimento de empreendimentos residenciais acessíveis em São Paulo. A trajetória da empresa reflete a força desse mercado: são mais de 20 projetos lançados, 6,5 mil unidades lançadas, cerca de 4.515 famílias conquistaram a sua moradia e saíram do aluguel, além de mais de 20 projetos e 4,2 mil unidades em desenvolvimento. 

“O que observamos no dia a dia é que a demanda por moradia continua muito consistente. Para quem busca o primeiro imóvel, a decisão está muito mais ligada à possibilidade de conquistar a casa própria com condições acessíveis do que às oscilações de curto prazo do mercado financeiro”, afirma Eduardo Pompeo, CEO da Mundo Apto.

O momento também coincide com mudanças recentes no Minha Casa Minha Vida. Em abril de 2026, passaram a valer novas condições do programa, com atualização dos limites de renda familiar e dos valores máximos dos imóveis financiáveis. Entre as mudanças, a faixa 4 passou a contemplar famílias com renda de até R$13 mil, enquanto o valor máximo dos imóveis nessa faixa subiu para R$600 mil.

Na prática, esse cenário amplia o universo de famílias elegíveis e fortalece a procura por empreendimentos enquadrados no programa. Para quem busca sair do aluguel ou comprar o primeiro imóvel, a decisão tende a ser menos influenciada pelo comportamento da Bolsa e mais conectada a fatores como localização, valor de entrada, parcela mensal, acesso ao crédito e segurança no processo de compra.

Habitação popular ganha força em meio à volatilidade

A análise do Safra também chama atenção para riscos que seguem no radar do setor, como inflação de custos, endividamento das famílias, inadimplência, disponibilidade de funding e desafios de execução diante do aumento de lançamentos. Ainda assim, os analistas indicam que o cenário exige seletividade, mas mantém uma leitura construtiva para empresas bem posicionadas.

No segmento de moradia acessível, essa seletividade se traduz em uma busca maior por projetos com proposta clara de valor, boa localização, plantas funcionais e aderência às necessidades reais das famílias. Mais do que estar dentro dos limites do programa, os empreendimentos precisam responder a uma demanda objetiva: moradia viável financeiramente, conectada à rotina urbana e com potencial de melhorar a qualidade de vida dos compradores.

“Nossa estratégia sempre esteve baseada em desenvolver empreendimentos alinhados às necessidades reais das famílias, priorizando localização, mobilidade e condições de compra compatíveis com a renda do público”, complementa Eduardo Pompeo, CEO da Mundo Apto.

Com o Minha Casa Minha Vida consolidado como um dos principais motores da construção residencial, o setor tende a permanecer no radar de investidores, incorporadoras, agentes financeiros e consumidores. Para empresas que atuam diretamente com habitação acessível, o momento representa uma oportunidade de reforçar a relevância da moradia popular não apenas como tema de mercado, mas como vetor de desenvolvimento econômico e social.

Sobre a Mundo Apto

A Mundo Apto é uma incorporadora voltada ao desenvolvimento de empreendimentos residenciais acessíveis em São Paulo. A empresa atua com projetos que buscam unir localização estratégica, mobilidade, funcionalidade e condições de compra compatíveis com diferentes perfis de famílias, com foco em ser uma facilitadora ao acesso à casa própria.

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