Valuation humano: José Roberto Marques mostra como empresas precisam do capital emocional em operações de M&A

# Valuation humano: José Roberto Marques mostra como empresas precisam do capital emocional em operações de M&A

Mais de 70% das operações de fusão e aquisição não entregam o valor projetado nos cinco anos seguintes ao fechamento, segundo levantamentos consolidados de consultorias internacionais como McKinsey, Bain e BCG. Os relatórios convergem em uma explicação que vinha sendo tratada como anedótica e hoje aparece como variável central: integração cultural, qualidade da liderança e capacidade emocional dos times absorverem a transição.

É nesse vão entre a planilha e a operação real que o conceito de Valuation Humano vem ganhando tração no mercado brasileiro. O termo, sistematizado pelo cientista do comportamento humano José Roberto Marques, fundador do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), propõe que o valor de uma empresa precisa incluir, ao lado dos ativos tangíveis e do múltiplo de Ebitda, uma medida da maturidade emocional da liderança e da cultura organizacional instalada.

“O M&A típico ainda compra balanço, contrato e propriedade intelectual. Quando entra na operação, descobre que comprou também um sistema vivo de relações humanas que estava fora da due diligence. Esse sistema decide se a tese de valor se realiza ou não”, afirma José Roberto Marques.

Da intuição ao critério mensurável

A discussão sobre o peso do fator humano em integrações pós-fusão não é nova. O que mudou nos últimos anos foi a tentativa de transformá-la em métrica utilizável dentro do processo decisório. Modelos que medem clima organizacional, índice de engajamento, rotatividade voluntária de líderes e tempo médio de permanência em cargos críticos passaram a integrar dossiês de auditoria em operações de maior porte, ao lado da auditoria contábil, fiscal e jurídica.

Para José Roberto Marques, esse é o passo intermediário. “O Valuation Humano não substitui o valuation financeiro. Ele cobre o ponto cego. Quando o comprador entende que a maturidade emocional do C-level é o que decide se a sinergia projetada vai se traduzir em resultado, ele para de tratar isso como algo soft. Vira critério.”

A tese de José Roberto Marques se ancora em um conjunto de premissas testadas ao longo de mais de três décadas de trabalho com lideranças corporativas. O IBC alcançou cerca de 5,7 milhões de pessoas em metodologias de desenvolvimento humano e atende, em sua frente corporativa, dezenas de empresas do Ibovespa em programas de desenvolvimento de C-level. A leitura recorrente nesses projetos é que líderes com baixa regulação emocional tomam decisões piores em janelas de incerteza, e o período pós-aquisição é, por definição, uma janela longa de incerteza.

O que o mercado está medindo

Operacionalizar o conceito ainda é o desafio. Em algumas casas de M&A, a auditoria de cultura passou a incluir entrevistas estruturadas com a segunda e terceira camadas de liderança da empresa-alvo, mapeamento de redes informais de decisão e diagnóstico de inteligência emocional do time executivo. O resultado entra no caderno de risco da operação como ajuste no múltiplo ou como cláusula de earn-out atrelada a métricas de retenção de pessoas-chave.

“Earn-out atrelado a EBITDA todo mundo já faz. Earn-out atrelado a permanência da liderança estratégica e a indicadores de cultura é o desenho que começa a aparecer em operações mais sofisticadas. Esse é o sinal de que o Valuation Humano está deixando de ser conceito e virando linha contratual”, afirma José Roberto Marques.

A tendência se conecta a movimentos paralelos no mercado de capitais. A própria ESG, em sua vertente Social, vem sendo cobrada com mais profundidade por investidores institucionais, e a pauta de capital humano deixou de ser tratada como apenas reputacional. Em paralelo, a entrada em vigor da NR-1 de saúde mental no ambiente de trabalho, em maio de 2026, formaliza a responsabilidade do empregador sobre fatores psicossociais e cria uma camada regulatória sobre o tema, com efeito direto em provisões e contingências que entram no balanço.

Onde isso aparece primeiro

José Roberto Marques observa que a adoção do conceito tende a se concentrar inicialmente em três tipos de operação: aquisições estratégicas em que o capital humano da empresa-alvo é o ativo central, como em consultorias e techs; consolidações setoriais em que a integração cultural será extensa, como em saúde e educação; e operações de private equity com horizonte de saída em cinco anos, em que a continuidade da liderança é variável crítica de retorno.

“Quem está olhando isso primeiro são os fundos que aprenderam, da pior maneira, que comprar a empresa errada com a liderança errada significa queimar 18 meses de tese de investimento. O Valuation Humano, no fim, é a maneira de não pagar por uma sinergia que nunca vai existir.”

A discussão tende a ganhar volume nos próximos trimestres. O Brasil acumula um pipeline robusto de operações em setores como tecnologia, saúde, educação e serviços financeiros, e a pressão por geração real de valor pós-fechamento deve fazer com que critérios qualitativos ganhem espaço na modelagem. Para José Roberto Marques, é apenas questão de tempo. “O mercado vai parar de tratar maturidade emocional como atributo e começar a tratá-la como ativo. Quando isso acontece, ela entra no valuation. Por definição.”

Populares

ABF Expo 2026 reúne redes de alimentação, seguros e educação em busca de expansão nacional

Mr. Mix Sorvetes, Touareg Seguros e Grau Educacional apresentam modelos de crescimento e novas oportunidades de negócios durante a maior feira de franquias da América Latina.

Dr. Fernando Borges Ribeiro alerta para a queda da testosterona no homem moderno e os impactos da “Extinção Masculina” global

Segundo o especialista, o fenômeno representa um dos maiores desafios da saúde do homem na atualidade, com reflexos que vão muito além da vida sexual.

Percarbonato, bicarbonato ou água sanitária? Entenda quando usar cada produto sem estragar roupas e superfícies

Com ação por oxigênio ativo, substância presente no AlvejaPro ajuda a remover manchas e branquear tecidos sem cloro; bicarbonato atua melhor em odores e limpeza leve, enquanto água sanitária segue indicada para desinfecção

Como o PIX acelerou a transformação das fintechs e mudou os meios de pagamento no Brasil

Shield Bank acompanha a evolução do mercado de pagamentos instantâneos e destaca como a inovação tem remodelado a relação entre empresas, consumidores e instituições financeiras

O que é o Pix do Milhão? Entenda o clube de benefícios, como funciona, prêmios, valor e como participar

Entenda o que é o Pix do Milhão, o clube de benefícios que combina vantagens digitais com ações de premiação: quanto custa, como participar, quais são os prêmios, como funciona a regulação pela SUSEP e o que conferir antes de entrar.