LAQI Impact Summit reúne lideranças e reforça Q-ESG como critério de permanência no mercado

Encontro abre série de eventos, apresenta frameworks de gestão e inaugura experimento que mapeia decisões empresariais na América Latina

# LAQI Impact Summit reúne lideranças e reforça Q-ESG como critério de permanência no mercado

A busca por crescimento já não se sustenta sem impacto, transparência e consistência de longo prazo. Esse foi o pano de fundo que o LAQI Impact Summit – Brazil 2026 reuniu, no último 12 de maio, em São Paulo, lideranças empresariais e especialistas para discutir o futuro da gestão na América Latina. Organizado pelo Latin American Quality Institute (LAQI), o encontro se consolidou como um espaço de convergência entre estratégia, governança e inovação, com foco na revisão do próprio conceito de valor nas organizações diante de desafios climáticos e sociais cada vez mais urgentes.

Ao longo da programação, o evento avançou do discurso à prática ao propor a operacionalização do ESG por meio de métricas, cultura organizacional e decisões orientadas por evidências. Conferências e debates refletiram uma inquietação crescente no setor produtivo, como transformar compromissos em ações mensuráveis sem comprometer a competitividade.

Para Daniel Maximilian Da Costa, fundador e CEO da LAQI, essa transição já está em curso. “Não estamos mais falando de diferenciação, mas de permanência no mercado. Empresas que não conseguem integrar impacto à sua estratégia estão, na prática, desconectadas do futuro”, afirma. Segundo ele, o desafio atual passa por incorporar o ESG ao centro das decisões, superando a lógica de iniciativas isoladas.

Entre os instrumentos apresentados, o Q-ESG Framework ganhou protagonismo ao propor a integração entre qualidade de gestão e os princípios ESG. Com base em 20 indicadores distribuídos entre as dimensões de qualidade, ambiental, social e governança, o modelo oferece uma leitura estruturada do nível de maturidade das empresas, especialmente de pequeno e médio porte. “O que estamos propondo é uma inteligência organizacional que conecta desempenho econômico a impacto real, com base em evidências e critérios verificáveis”, ressalta o CEO.

Outro ponto de destaque foi a comunicação corporativa. Em um ambiente de crescente exigência por clareza, iniciativas como o Índice de Legibilidade LAQI reforçam que transparência não se limita à abertura de dados, mas à capacidade de torná-los compreensíveis. “O mercado não aceita mais discursos vagos. Transparência não é apenas disponibilizar informações, mas garantir que elas sejam compreendidas por diferentes públicos, dentro e fora das organizações”, pontua. “A confiança, hoje, é construída também pela forma como se comunica”, completa.

Ao sediar o encontro, o Brasil reafirma o papel estratégico da América Latina na agenda global de sustentabilidade. Com desafios estruturais e oportunidades em áreas como biodiversidade, inovação social e transição energética, a região foi apresentada como um campo fértil para o desenvolvimento de soluções adaptadas a contextos complexos.

Leitura coletiva

Um dos momentos inovadores do Summit foi o Masterminds, estruturado como um experimento social aplicado. Sob o tema “A era da confiança”, a iniciativa colocou os participantes diante de quatro dilemas reais, um para cada dimensão do Q-ESG, sem respostas corretas. “Não estamos aqui para descobrir quem está certo, nem para validar respostas ideais. Estamos aqui para compreender como pensamos e decidimos quando somos colocados no centro das tensões reais do mundo empresarial”, destaca Daniel.

Mais do que um exercício pontual, o Masterminds foi concebido como uma base de dados contínua sobre o pensamento empresarial latino-americano. Replicado em seis países ao longo de 2026, o experimento busca construir uma série histórica comparável, com rigor metodológico e rastreabilidade dos resultados. “O que estamos construindo não é apenas um registro de opiniões, mas uma série histórica sobre decisões empresariais em contextos de incerteza. O que dura, nesse processo, é o que de fato gera valor na economia da informação”, sintetiza a proposta.

Populares

IA que funciona não é problema de tecnologia, aponta estudo de Stanford

Levantamento com 51 casos reais de implantação de inteligência artificial em empresas conclui que o gargalo do sucesso está na organização, não no modelo de IA escolhido.

Teto de investimento por margem ganha tração como métrica de governança em mídia paga

Scale-ups que decidiram tratar marketing como capital alocável estabelecem tetos baseados em margem aceitável por canal. A Nexus Growth, consultoria fundada por Dan Freitas que gerencia R$ 320 milhões em mídia paga, é uma das casas que opera clientes nesse modelo. A mudança redefine o que o board exige quando aprova mídia paga.

O dinheiro esquecido no caixa: os sinais de que a empresa tem tributos a recuperar

Pagamentos a maior, créditos não aproveitados e teses já consolidadas nos tribunais formam um estoque de recursos que muitas empresas desconhecem ter. Identificar os sinais é o primeiro passo da recuperação tributária, e o prazo para agir ficou mais curto com a reforma.

Amnésia corporativa: o custo invisível de operar sem um cérebro central

O ativo mais caro que uma empresa perde quando um funcionário sai não aparece em nenhuma planilha. É o contexto que só estava na cabeça dele. Entenda por que reter conhecimento virou um problema de arquitetura, e não de RH.

Menopausa: por que essa fase virou um novo começo para a mulher

Dra. Ana Luiza Fortes explica como os avanços da medicina estão transformando a menopausa em uma fase de qualidade de vida, autoestima e bem-estar.