Bela Maria mostra potência do R&B em “Tudo Que Eu Sinto Faz Barulho”

O R&B vive um novo momento no Brasil, com grandes artistas trazendo o ritmo como referência em seus últimos trabalhos. Nomes como Tim Maia, Fat Family e Sandra de Sá eternizaram o melhor dessa mistura de jazz, soul, blues, funk, fazendo seus fãs dançarem e curtirem cada música. Com o tempo, novos artistas foram  surgindo e incorporando o pop, hip hop e muitos outros estilos ao movimento. Agora, é a vez de Bela Maria mostrar toda sua potência com seu primeiro álbum autoral “Tudo que Sinto Faz Barulho”

Trazendo a vulnerabilidade como força, Bela chega como uma voz potente e necessária no R&B contemporâneo — sensível, intensa e autêntica. E esta obra apresenta sua visão artística com maturidade e grande potencial de conexão emocional com o público.

“Esse álbum nasceu após um período de bloqueio criativo e se transformou em um manifesto sobre sentir em voz alta — especialmente enquanto mulher preta em uma sociedade que insiste em silenciar suas emoções”, diz.

Com referências como Michael Jackson e Alcione (que é homenageada no sample da faixa foco “Doce, Dengosa, Polida”), o disco combina grooves fortes, camadas vocais quentes e letras profundas sobre amor, liberdade e autoestima. A produção é assinada majoritariamente por Itoo, parceiro de longa data da artista, trazendo unidade e identidade ao mais novo projeto.

A construção do álbum

“Tudo que Sinto Faz Barulho” é um projeto para ser pensado como disco, com lados A e B e reforça sua estética emocional e performática em três artes visuais. 

Todas as letras do projeto falam sobre o poder da vulnerabilidade diante da percepção de que ser sensível ou simplesmente sentir não eram possibilidades para a mulher negra diante da sociedade. “Sempre foi preciso “manter a marra” para seguir com as adversidades da vida e fraquejar nunca foi opção, e até hoje essa figura de força e resistência é atribulada a mulher negrapreta, que também ama, sente, chora e precisa ser acolhida. Então quando canto sobre amores, sobre superação, autoestima, estou sendo livre, e liberdade pra cantar e falar sobre o que quero, e principalmente sobre afeto, pra mim já é revolução”.

“O primeiro som que fiz pro álbum, “Poema Sujo”, já fala sobre o processo inteiro, foi depois de ver um vídeo de Gullar declamando esse poema de um jeito tão visceral, sem cortes, sem se preocupar com a duração, sem ligar pra estrutura, que me lembrei do motivo pelo qual faço música. É realmente porque tudo que eu sinto faz barulho demais e preciso colocar pra fora”.

A faixa foco “Doce, Dengosa, Polida” ganha o sample da música “A Loba”, de Alcione, fazendo homenagem a essa artista que é uma das maiores inspirações para Bela na música. “Cresci ouvindo “Ponta de Faca”, “Nem Morta”, “Marra de Feroz”… e a partir da liberdade dela cantando sobre o que sente com tanto poder, eu me vi tendo coragem para cantar sobre minhas vulnerabilidades. Além da letra, que particularmente é minha preferida, experimentei nos vocais, nas rimas, e sinto que ela diz tudo sobre o álbum levar o título que tem”. 

Acompanhada de clipe, a faixa “Doce, Dengosa, Polida”, complementa seus dois trabalhos audiovisuais anteriores, Poema Sujo e Tenta a Sorte. “Eu queria exatamente a expressão do quanto minha vulnerabilidade é o que traz poder e autenticidade à minha arte, e foi isso que gravamos com uma performance direto de um teatro, lugar que pra mim representa exatamente a coragem de se expor ao olhar do outro”. Assista aqui!

Créditos: Uhgo

O projeto conta também com a participação de N.I.N.A na faixa “Efeito Mandela”, trazendo toda a energia e potência para o Lado A do disco. “Ela veio com a voz marcante que só ela tem, a presença e a canetada sempre sem igual dela, e eu fiquei maravilhada no quanto nossa troca simplesmente fluiu porque já vivemos exatamente o que estamos cantando essa música”. 

No lado B, Chris Mc faz participação na faixa “Preciso de Respostas”.”Pra mim foi uma honra poder contar com ele. Além de uma voz incrível de se ouvir, o nome dele é o primeiro que me vem à cabeça quando o assunto é lovesong. As músicas dele me marcaram muito quando eu ainda nem sonhava em lançar algo autoral, me inspiraram, e agora poder cantar com ele é especial”.

Já na produção, Itoo é o responsável por nove músicas do disco, sendo uma também produzida pelos Dos Mlk (a faixa “Outro Nome”), além de sons mixados por TAP e masterizados por Fili Filizzola. “Itoo está comigo desde a época da faculdade, que foi quando conheci ele, me inscrevi em um edital para gravar minhas primeiras músicas por lá, e quem estava estagiando no estúdio era ele, e desde então ele produz todos os meus lançamentos. Somos sempre eu e ele tendo as ideias e fazendo acontecer no estúdio, ou ele me manda um áudio com uma ideia, eu mando uma mensagem com uma referência… o disco nasceu de um jeito muito espontâneo, como uma dupla mesmo”. 

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