A popularização de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, vem transformando não apenas os hábitos de quem busca perder peso, mas também o perfil de pacientes que chegam aos consultórios de cirurgia plástica. Após grandes perdas de peso, algumas pessoas passam a perceber uma nova questão: o excesso de pele e as alterações no contorno corporal e facial
Abdômen, braços, coxas e mamas estão entre as regiões que podem apresentar maior sobra de pele após um emagrecimento expressivo. No rosto, a redução do volume de gordura facial também pode tornar a flacidez e algumas marcas de envelhecimento mais aparentes.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Marcelo Moreira, a resposta do organismo após o emagrecimento varia de acordo com fatores como idade, genética, quantidade de peso perdida, velocidade da perda de peso e características individuais da pele.
“Quando existe uma perda de peso importante, não ocorre apenas redução de gordura. A pele e outros tecidos que permaneceram distendidos durante determinado período também precisam se adaptar ao novo volume corporal”, explica o especialista.
A capacidade de retração da pele não é igual para todas as pessoas. A elasticidade depende, entre outros fatores, da estrutura do tecido, da idade e do tempo em que a pele permaneceu distendida.
Em perdas de peso menores, pode haver uma retração progressiva da pele ao longo dos meses. Já quando existe uma quantidade significativa de pele excedente, a capacidade natural de retração pode não ser suficiente para acompanhar a nova silhueta. A musculação pode contribuir para melhorar o contorno corporal ao aumentar a massa muscular e proporcionar maior sustentação aos tecidos. No entanto, o exercício não consegue eliminar uma grande quantidade de pele excedente.
“É importante diferenciar gordura localizada, falta de massa muscular e excesso de pele. São situações diferentes e, consequentemente, possuem abordagens diferentes”, afirma Marcelo Moreira. Para pacientes que perderam muito peso, a avaliação cirúrgica normalmente deve considerar não apenas o número indicado na balança, mas também a estabilidade desse peso e as condições gerais de saúde. Isso é particularmente importante no contexto dos medicamentos para emagrecimento. A perda de peso pode continuar durante o tratamento e, por isso, realizar uma cirurgia enquanto o corpo ainda está passando por mudanças significativas pode não ser a estratégia mais adequada.
A avaliação individual permite determinar quando o paciente atingiu uma condição mais estável e se existe indicação para procedimentos como abdominoplastia, lifting de braços, lifting de coxas, mastopexia ou outras cirurgias de contorno corporal. A presença de alguma flacidez após o emagrecimento não significa automaticamente que exista indicação cirúrgica. O impacto funcional e estético, a quantidade de pele excedente, a estabilidade do peso e as expectativas do paciente são fatores considerados durante a avaliação.
Em alguns casos, mudanças naturais continuam acontecendo depois da perda de peso. Em outros, principalmente quando há grande excesso de pele, procedimentos não cirúrgicos e exercícios podem não ser capazes de remover o tecido excedente. No rosto, a avaliação também precisa ser individualizada. A redução de gordura facial pode modificar a sustentação e o volume de determinadas regiões, mas isso não significa que todos os pacientes necessitem de procedimentos.
Para o cirurgião plástico, o fenômeno reforça a necessidade de compreender o emagrecimento como um processo que vai além da balança. “O objetivo não deve ser simplesmente perder peso, mas entender como o corpo está se reorganizando depois dessa perda. Em alguns pacientes, o tratamento termina com a estabilização do peso; em outros, o excesso de pele passa a ser uma nova questão a ser avaliada”, explica Marcelo Moreira. Com a expansão do uso das chamadas canetas emagrecedoras, esse cenário tende a se tornar cada vez mais presente nos consultórios. Para quem perdeu uma quantidade significativa de peso, a próxima etapa pode envolver não apenas a manutenção dos resultados, mas também a avaliação das mudanças provocadas pelo novo contorno corporal.





