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Roteirista, designer, revisor e estúdio em uma esteira de IA

Dona de uma plataforma de educação corporativa com mais de 7 milhões de usuários, a empresa apresentou o produto no Campinas Innovation Week, que reuniu mais de 23 mil pessoas entre 14 e 18 de setembro

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Inspand lança o CRIAR, fábrica inteligente de conteúdo corporativo.

Dona de uma plataforma de educação corporativa com mais de 7 milhões de usuários, a empresa apresentou o produto no Campinas Innovation Week, que reuniu mais de 23 mil pessoas entre 14 e 18 de setembro

O Prédio do Relógio, no antigo pátio ferroviário de Campinas, foi de 14 a 18 de setembro o endereço do Campinas Innovation Week, evento organizado pela Prefeitura e pela Associação Comercial e Industrial da cidade que reuniu mais de 23 mil pessoas, segundo a organização. Entre estandes de startups, laboratórios de universidades e palestras divididas em cinco trilhas, a Inspand escolheu o evento para lançar um produto: o CRIAR, que a empresa define como a primeira fábrica inteligente de conteúdo corporativo e treinamento estruturado por inteligência artificial.

Fábrica, no caso, não é força de expressão. Produzir um treinamento costuma exigir uma pequena equipe: roteirista, designer instrucional, revisor, designer gráfico e, quando o formato é vídeo, ator, estúdio e edição. O CRIAR organiza esse trabalho em uma esteira de produção em que diferentes etapas são apoiadas por agentes de inteligência artificial. Segundo a Inspand, a esteira permite produzir um conteúdo com cerca de 10% do orçamento e 10% do tempo de uma produção tradicional.

O funcionamento é o seguinte. O gestor de treinamento escreve o assunto (por exemplo, o procedimento de abertura de uma loja) e anexa o material que tiver, como um manual em PDF. A assistente pesquisa o tema, lê o documento e escreve o roteiro. O gestor pode ler, ajustar e seguir com a produção. A partir daí, o vídeo pode ser gerado com apresentador virtual e narração em português ou outro idioma, pronto para entrar na plataforma onde os funcionários fazem seus cursos.

A esteira ganhou recentemente uma nova camada de inteligência. O CRIAR passou a incorporar o que a Inspand chama de Inteligência Cognitiva, um recurso capaz de analisar diferentes elementos do conteúdo, como imagem, áudio e linguagem, oferecendo novas informações sobre os estímulos cerebrais presentes naquela experiência.

Na prática, a inteligência artificial deixa de atuar apenas na produção e passa também a apoiar a análise e o refinamento do conteúdo. A proposta é permitir que quem cria tenha mais elementos para tomar decisões sobre a experiência que será entregue às pessoas. A publicação final permanece nas mãos de um humano.

“Toda vez que uma empresa vai produzir um conteúdo, ela precisa de roteirista, de designer instrucional, de revisor, de designer gráfico. Se for vídeo, precisa contratar ator e estúdio. A empresa que já tem esse time passa a produzir muito mais com ele. A que não tem passa a ter, com um agente virtual ali para atender cada demanda”, diz Cristiano Franco, CEO da Inspand.

A Inspand tem 31 anos. Nasceu como provedora de internet no interior paulista e foi acompanhando as mudanças de mercado até desenvolver o Neolude, uma das maiores plataformas de educação corporativa da América Latina, usada por empresas como Natura, GOL Linhas Aéreas, FEBRABAN, Amil e Ipiranga. Em 2026, criou um núcleo próprio de inteligência artificial, o INLab, de onde saiu o produto lançado agora.

O problema que a ferramenta tenta resolver tem número. As empresas brasileiras aplicaram 26 horas de treinamento por funcionário em 2025, segundo a Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil, da ABTD, acima da média de 21 horas dos dez anos anteriores. O orçamento ficou parado, em torno de 1,7% da folha, e a equipe que produz esse treinamento continua pequena: um profissional de T&D para cada 648 funcionários. O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das habilidades exigidas pelo mercado vão mudar até 2030, o que empurra ainda mais gente para a fila da requalificação.

Na prática, a conta fecha assim: se um procedimento muda em março, a área de treinamento recebe o pedido em abril, encontra agenda de gravação em maio e publica o curso em junho, quando o procedimento já mudou de novo. No intervalo, cada gerente ensina a própria versão.

A promessa do CRIAR é reduzir drasticamente esse ciclo. O conhecimento de quem domina determinado assunto pode ser transformado em conteúdo sem que essa pessoa precise parar seu trabalho para enfrentar toda a estrutura tradicional de roteiro, gravação, estúdio e edição. E, com a camada de Inteligência Cognitiva, a análise passa a fazer parte da mesma esteira que produz o conteúdo.

Cristiano Franco foi embaixador da trilha “Impacto, Pessoas e Experiência” do CIW, dedicada a inclusão, educação e futuro do trabalho. O tema que ele levou ao evento, a relação entre inteligência artificial, pessoas e negócios, parte de uma ideia que ele faz questão de reforçar: a tecnologia amplia possibilidades, mas são as pessoas que dão propósito a elas.

“A IA pode acelerar processos, ampliar nossa capacidade e nos permitir produzir muito mais. Mas tecnologia, sozinha, não transforma pessoas. O que faz diferença é o que fazemos com ela. E acredito que o resultado de uma pessoa trabalhando com IA será sempre melhor do que o da IA trabalhando sozinha”, afirma.

É também a resposta da empresa a um receio previsível: o do profissional que lê “agente” e entende “substituto”. No desenho do CRIAR, a inteligência artificial assume tarefas que antes consumiam tempo e recursos de diferentes profissionais, enquanto as pessoas permanecem responsáveis pelas decisões que dão sentido ao conteúdo.

E talvez seja justamente aí que esteja a mudança mais relevante.

Quando produzir conteúdo deixa de ser o gargalo, a questão muda. Não basta perguntar quanto conseguimos produzir, mas o que realmente vale a pena ensinar e como criar uma experiência capaz de chegar melhor às pessoas.

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