Marcelo Erthal e especialistas mostram como usar indicadores para monitorar a operação em tempo real e comprovar resultados
Poucas áreas corporativas acumulam tanta informação sobre a própria operação quanto o compliance, e poucas têm tanta dificuldade em transformá-la em argumento. Denúncias recebidas, investigações abertas, treinamentos concluídos e fornecedores avaliados geram registros todos os dias. Na hora de defender orçamento ou mostrar ao conselho o que o programa de integridade entregou no ano, porém, muitos profissionais ainda levam à reunião relatórios que descrevem atividades, e não resultados.
A dificuldade aparece nas pesquisas. Levantamento do Gartner indica que apenas 37% dos líderes de compliance se dizem confiantes na capacidade de avaliar a efetividade do próprio programa. No Brasil, a 6ª Pesquisa de Maturidade de Compliance da KPMG, feita com 106 organizações, mostrou que 56% das empresas não usam metas de compliance como indicadores na avaliação de desempenho.
O tema ganhou peso na agenda dos executivos da área. Estudo divulgado pela KPMG neste mês, com 725 Chief Compliance Officers de oito países, aponta a análise de dados e a modelagem preditiva para monitoramento de riscos como o segundo maior desafio dos próximos dois anos, citado por 31% dos entrevistados, atrás apenas das novas exigências regulatórias. Havendo orçamento disponível, 77% pretendem investir em análise de dados. O mesmo levantamento mostra que só 22% têm alta confiança para medir a cultura ética da empresa e que os líderes querem que a função deixe de ser vista como centro de custo.
“O compliance produz dados o tempo todo, mas a diretoria não toma decisão com base em volume de registros. Ela quer saber quais riscos foram reduzidos, quanto tempo a empresa leva para responder a um problema e onde estão as vulnerabilidades. Quando o profissional organiza a rotina em indicadores e acompanha esses números com frequência, o compliance passa a ser cobrado e reconhecido pelo que entrega”, afirma Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance, plataforma de gestão de compliance.
Na prática, um indicador de compliance é um dado operacional acompanhado ao longo do tempo e comparado com uma meta ou referência. O número de denúncias recebidas, isolado, diz pouco. Cruzado com o tempo médio de apuração, a proporção de casos procedentes e as áreas de origem dos relatos, passa a mostrar se o canal é usado, se a empresa responde com agilidade e onde o risco se concentra. O mesmo raciocínio vale para a taxa de conclusão de treinamentos, o percentual de políticas com aceite formal dos colaboradores e a cobertura das diligências sobre terceiros.
O custo de não medir também tem tradução financeira. Segundo a edição 2026 do Report to the Nations, da ACFE (Association of Certified Fraud Examiners), um caso típico de fraude ocupacional dura 12 meses até ser detectado, e as organizações perdem, em estimativa, 5% da receita anual com esse tipo de ocorrência. As denúncias continuam sendo o principal meio de descoberta, responsáveis por 43% dos casos, e mais da metade delas parte de funcionários. Acompanhar de perto o fluxo do canal e o andamento das apurações é uma das formas de encurtar esse intervalo.
Há ainda um componente regulatório. O Decreto 11.129/2022, que regulamenta a Lei Anticorrupção, inclui o monitoramento contínuo do programa de integridade entre os parâmetros usados para avaliar sua existência e aplicação, avaliação que pode ser considerada na aplicação de sanções às empresas. Indicadores organizados e com histórico funcionam, assim, também como evidência de que o programa sai do papel.
“Quando os números ficam em planilhas atualizadas uma vez por mês, o profissional de compliance descobre o problema junto com a diretoria. Com acompanhamento em tempo real, ele consegue agir antes e chega à reunião com a análise pronta”, diz Erthal.
Esse é o tema da próxima live da clickCompliance, “Indicadores de Compliance: como monitorar a operação e comprovar resultados”, marcada para 28 de outubro, das 11h às 12h. Erthal recebe os especialistas Kairo Nogueira e Isabella Bullia, da própria empresa, em uma sessão prática sobre como estruturar métricas a partir de dados de denúncias, investigações, treinamentos e terceiros, e como apresentá-las à alta gestão. Como exemplo de aplicação, os participantes vão acompanhar os indicadores estratégicos disponíveis no software da clickCompliance para monitorar a operação em tempo real.
Serviço
Live “Indicadores de Compliance: como monitorar a operação e comprovar resultados”
28 de outubro, das 11h às 12h, online e gratuita
Inscrições: https://clickcompliance.com/live-indicadores-compliance/





