Qualidade das fontes ganha importância estratégica para os negócios
Saber onde buscar dados confiáveis se tornou uma questão estratégica para as empresas. Mais do que ter acesso a grandes volumes de informação, organizações precisam identificar fontes seguras, verificar dados e estabelecer critérios para utilizá-los na tomada de decisões.
A discussão ganha relevância à medida que ferramentas de inteligência artificial passam a apoiar análises de mercado, planejamento, gestão de riscos e decisões relacionadas a sustentabilidade e governança. Um exemplo disso é a Quality Magazine, publicação mensal do Latin American Quality Institute (LAQI), que destaca como os dados podem contribuir para antecipar riscos e impactos. As edições estão disponíveis neste link.
“Estamos vivendo uma transição em que a informação deixou de ser apenas um recurso de apoio e passou a fazer parte da infraestrutura das decisões empresariais. Se a informação utilizada não for confiável, a tecnologia apenas acelera uma decisão que pode estar errada”, afirma Daniel Maximilian Da Costa, founder e CEO da LAQI.
O problema se torna mais complexo com a popularização da inteligência artificial generativa. Sistemas capazes de produzir análises e respostas em poucos segundos dependem da qualidade das informações utilizadas para construir essas respostas. Para as empresas, isso aumenta a necessidade de estabelecer processos de validação e recorrer a fontes com credibilidade, histórico e critérios claros.
Segundo Da Costa, a preocupação não deve ser apenas com a quantidade de dados disponíveis. “A pergunta estratégica não é quanto dado uma empresa consegue acumular, mas quanto desse dado pode ser considerado confiável e útil para uma decisão. Informação sem qualidade pode gerar uma falsa sensação de segurança”, pontua.
A preocupação também se estende às áreas de ESG. Indicadores ambientais, sociais e de governança são cada vez mais utilizados para avaliar empresas, fornecedores e projetos. Dados inconsistentes ou sem rastreabilidade podem comprometer análises, dificultar comparações e aumentar a exposição a riscos financeiros e reputacionais.
“A empresa precisa saber de onde vem a informação que utiliza. Qual é a fonte? Qual a metodologia? Quando aquele dado foi produzido ou atualizado? Essas perguntas são fundamentais quando uma decisão pode gerar impacto financeiro, operacional ou reputacional”, afirma Da Costa.
Para o executivo, a busca por informação confiável deve fazer parte da própria cultura de gestão. O desafio não está apenas em criar bases de dados, mas em estabelecer critérios para selecionar, validar e interpretar o conteúdo utilizado pelos diferentes setores da organização.
“A qualidade da informação precisa ser tratada como um processo. Não basta receber um dado e incorporá-lo automaticamente a uma análise. É preciso compreender sua origem, verificar sua consistência e avaliar se ele realmente serve ao objetivo para o qual será utilizado”, diz.
Informação como benefício
O movimento também pode beneficiar pequenas e médias empresas, que nem sempre possuem grandes estruturas de inteligência de mercado ou departamentos especializados em análise de dados. Para essas organizações, estabelecer fontes confiáveis e procedimentos básicos de verificação pode reduzir custos decorrentes de decisões equivocadas.
“A empresa não precisa necessariamente ter mais informação. Muitas vezes, precisa ter melhores critérios para selecionar a informação que utiliza. Em um mundo de excesso de conteúdo, saber descartar aquilo que não é confiável também é uma competência empresarial”, afirma Da Costa.





