Dados de Gartner, IDC e Dell’Oro Group mostram como a escassez global de memória eleva o custo da nuvem e pede revisão de orçamento. MSServer alerta para a necessidade de análise do contexto atual para a tomada de decisões acertadas
O custo de rodar aplicações em nuvem está mudando de patamar em 2026, e a origem do problema fica longe das telas dos gestores de TI: a fabricação de memória RAM. A corrida global por infraestrutura de inteligência artificial concentrou a produção de DRAM (memória de acesso dinâmico, sigla em inglês para dynamic random access memory) nas mãos de poucos fabricantes, que priorizam contratos bilionários com grandes provedores de nuvem em detrimento de servidores convencionais. O resultado já aparece nas faturas das empresas brasileiras, em contratos renegociados, hardware mais caro e prazos de entrega mais longos.
Memória em falta, preços em disparada
Segundo a TrendForce, consultoria de referência em semicondutores, os preços contratuais de DRAM convencional subiram entre 55% e 60% no primeiro trimestre de 2026 e devem avançar mais 13% a 18% no terceiro trimestre. Nos módulos usados em servidores, o movimento foi ainda mais acentuado, com algumas famílias de DDR5 mais que triplicando de preço entre o fim de 2025 e o início deste ano.
A Gartner chegou a conclusões na mesma direção. Em análises publicadas ao longo de 2026, a consultoria registrou altas de até 200% em determinados componentes de memória, com reflexo direto no preço de servidores, que já sobe mais de 125% em algumas configurações, segundo o analista Jon Forest, da própria Gartner.
O peso da memória na conta da nuvem
O impacto não fica restrito a data centers próprios. A consultoria SemiAnalysis estima que a memória já responde por cerca de 30% do investimento total dos grandes provedores de nuvem em 2026, ante apenas 8% em 2023 e 2024. A Dell’Oro Group, especializada em infraestrutura de data center, registrou alta de 92% no investimento global do setor no segundo trimestre de 2026, puxada em boa parte pelo encarecimento de memória e armazenamento, não apenas por expansão de capacidade.
Os números da IDC reforçam esse quadro por outro ângulo: o gasto mundial com servidores cresceu 30,7% no primeiro trimestre de 2026, ritmo bem acima do avanço de 3,3% no número de unidades vendidas. A diferença entre os dois números mostra que boa parte do aumento vem do preço do equipamento, não do volume adicional de máquinas entregues.
Uma variável que já não é só de bastidor
Para quem opera infraestrutura de servidores no Brasil, esse cenário deixou de ser uma questão restrita às equipes técnicas.
“O aumento no custo de memória chegou à cadeia de fornecimento inteira e quem terceiriza infraestrutura sem acompanhar esse movimento corre o risco de fechar contratos com premissas já defasadas”, afirma Márcio Ferrari, CEO da MSServer, empresa especializada em infraestrutura de servidores.
O que muda na gestão de TI no Brasil
O país sente esse movimento por duas frentes. Do lado da oferta global, a IDC já apontou, em suas previsões para o Brasil em 2026, que a crise de memória amplia os prazos de entrega de equipamentos mais robustos, qualquer que seja o tipo de processador envolvido. Do lado cambial e regulatório, um estudo da Tripla, empresa brasileira de tecnologia e cibersegurança, projeta reajuste de 2% a 10% nos custos de nuvem cobrados por grandes provedores internacionais no país, como reflexo de tarifas comerciais recentes entre Brasil e Estados Unidos.
A soma dos dois fatores torna a revisão de contratos de nuvem uma pauta que já não pertence só à área de infraestrutura. Orçamentos fechados com base em preços de 2024 ou 2025 tendem a ficar defasados e o acompanhamento da cadeia de componentes de memória passa a interessar diretamente às áreas financeira e de tecnologia das empresas.
O efeito prático, no fim, é menos previsibilidade de custo.
Analistas de mercado convergem em um ponto: a normalização de preços não deve vir antes de 2027, com parte das projeções apontando para 2028. Para gestores de TI, CTOs e CFOs, o momento pede menos suposição sobre custo de nuvem e mais monitoramento ativo do mercado de componentes, hoje um dos fatores que mais influencia a fatura final de infraestrutura.
Perguntas frequentes sobre a alta da RAM e o custo da nuvem
Por que a memória RAM está mais cara em 2026?
A demanda por infraestrutura de inteligência artificial concentrou a produção global de DRAM em poucos fabricantes, que priorizam contratos com grandes provedores de nuvem e reduzem a oferta disponível para servidores convencionais, o que empurra os preços contratuais para cima em todos os segmentos do mercado.
O custo da nuvem no Brasil também deve subir?
Sim. A pressão global de componentes se soma a fatores locais, como tarifas comerciais recentes, e estudos já projetam reajustes entre 2% e 10% para contratos com grandes provedores internacionais que atendem empresas brasileiras.
Até quando a alta de preços deve durar?
Consultorias como Gartner e IDC projetam normalização apenas a partir de 2027, ou possivelmente 2028, já que a expansão da capacidade de produção de memória exige investimentos e prazos de construção de longo prazo.





