Faixa título do álbum do Digo Amazonas e a Multidão recebe videoclipe com imagens cinematográficas do Brasil

Em tempos em que o patriotismo virou símbolo de orientação política, o amor pelo país se torna questionável. É neste contexto que o cantor, compositor e percussionista Digo Amazonas estreou o seu primeiro álbum, “Qual Brasil?”, ao lado da banda Multidão, formada por Rodrigo Ramos (guitarra), Ivanbatucada (percussão), Juari Dovenas (baixo) e Marcelo Koba (bateria). E agora, lança o videoclipe da faixa-título que nos mostra através de lindas imagens a riqueza natural e cultural do nosso país. O clipe de “Qual Brasil” sai no Dia da Bandeira Nacional, dia 19 de novembro.

O videoclipe foi produzido pela Maranha, produtora audiovisual que aborda temas relevantes e urgentes sobre o Brasil, e que é uma parceira de longa data do cantor e compositor. As imagens – vale dizer, sem inteligência artificial – foram captadas em uma jornada da Maranha por todas as regiões do país para a produção da série documental “Travessias Desiguais” já disponível nas plataformas de streaming. Cenas reais que casaram perfeitamente com o propósito do álbum “Qual Brasil?” em ser um manifesto sonoro e poético sobre o país em que vivemos.  

Gravado entre 2022 e 2024, de forma totalmente independente, “Qual Brasil?”  nasceu a partir das vivências de mais de duas décadas de Digo pesquisando, conhecendo e viajando pelo Brasil. O projeto começou como um trabalho de conclusão de sua pós-graduação em percussão brasileira, e cresceu até se tornar um manifesto musical.

Estudar percussão brasileira é estudar a história do Brasil. Conforme fui vivenciando e entendendo as coisas, as músicas foram se revelando e se transformando. ‘Qual Brasil?’ é fruto desse mergulho”, explica Digo.

Tal qual a música “Que País É Esse?” escrita por Renato Russo em 1978, ou “Brasil” escrita por Cazuza em 1988, Digo Amazonas vem décadas depois levantar questões centrais sobre o país com muito rock pesado e referências brasileiras, em um álbum com nove faixas e apenas 21 minutos de duração. O tempo é suficiente para escancarar temas como ancestralidade, natureza, tecnologia, redes sociais e resistência cultural, unidos pelo olhar crítico e afetivo de quem vive e ama o verdadeiro Brasil.

A faixa-título “Qual Brasil?” abre o álbum com um convite para essa travessia, exaltando a diversidade e as belezas do país. Na sequência, “Matagal” e “Manifestação Animal” mergulham nas raízes ancestrais e no pertencimento à natureza, mesclando rock, maracatu e côco em um som visceral. Em “Adubo Humano”, uma citação de Brás Cubas dá início à um a reflexão sobre o ser humano no capitalismo contemporâneo, com a participação de Íris Apokalypsis, que incorpora o olhar da inteligência artificial.

O interlúdio “+55” marca uma virada no álbum, contando em 60 segundos a história das telecomunicações no país — do telégrafo à internet — e preparando o terreno para os temas digitais das faixas seguintes. Já “@influencers” ironiza o culto às personalidades das redes, enquanto “Algo Rítmico” transforma o ódio aos algoritmos em um rock pesado, dialogando com a polirritmia do Boi de Matraca, do Maranhão. 

A faixa “T.I. (Terra Indígena)” ressignifica o termo T.I. de “Tecnologia da Informação” para “Terra Indígena”, exaltando a sabedoria ancestral, com participação de jovens Guaranis do Pico do Jaraguá e cenas do Acampamento Terra Livre no videoclipe já lançado como single. O encerramento chega com “#ChicoMendesVive”, faixa poderosa que celebra o legado do ambientalista acreano, e que também já foi lançada como single, em parceria com a família de Chico Mendes e o Comitê Chico Mendes.

O álbum é uma coprodução de Digo Amazonas, Rodrigo Ramos e Ivanbatucada, gravado e mixado na Mandril Audio e masterizado no El Rocha, em São Paulo. A arte do álbum, criada por Denis Diosanto, é uma releitura da capa do “Manifesto da Poesia Pau-Brasil” (1924), ilustrada por Tarsila do Amaral para o livro de Oswald de Andrade, que inspirou o conceito do álbum “Qual Brasil?”. Cem anos depois, Digo propõe uma reflexão sobre as disputas de identidade e narrativa que ainda moldam o país: 

Hoje, como há um século, seguimos tentando responder à mesma pergunta: que Brasil é esse? ‘Qual Brasil?’ defende a cultura, o povo e as florestas do nosso país. Eles dizem que amam o Brasil — mas qual Brasil?”, provoca o artista.

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