Alta do boi gordo ganha força e acende alerta para novo ciclo de valorização no agro

O mercado do boi gordo voltou a registrar valorização consistente nesta semana, com negócios alcançando até R$ 360 por arroba em Goiás e R$ 377 em São Paulo, patamares considerados recordes recentes. O movimento reflete uma combinação de fatores que vêm sustentando os preços em diversas regiões produtoras do país e já chama a atenção de agentes do setor.

Um dos principais vetores dessa alta é o encurtamento das escalas de abate. Em várias praças pecuárias, frigoríficos operam com programações mais curtas, o que aumenta a disputa por animais prontos para o abate e dá sustentação às cotações no mercado físico.

Ao mesmo tempo, a demanda segue aquecida. As exportações, especialmente para a China, continuam em ritmo elevado, garantindo o escoamento da produção brasileira. No mercado interno, mesmo diante de preços mais altos, o consumo tem mostrado resiliência, sobretudo nos cortes de maior giro, contribuindo para o equilíbrio da cadeia.

Outro ponto que começa a entrar no radar é o comportamento da oferta. Há indícios de redução no abate de fêmeas, movimento que historicamente antecede mudanças no ciclo pecuário. Esse cenário pode sinalizar uma transição para um período de menor disponibilidade de animais, o que tende a reforçar o viés de alta no médio prazo.

Para o consultor financeiro e zootecnista Fabiano Tavares, o atual cenário reúne elementos clássicos de uma virada de ciclo no mercado pecuário. “Quando a gente observa escalas encurtadas, exportações firmes e uma possível retenção de fêmeas, estamos diante de sinais claros de ajuste na oferta. Isso normalmente antecede um período de valorização mais consistente da arroba”, afirma.

Segundo ele, o comportamento do produtor também deve ser determinante nos próximos meses. “Se o pecuarista começa a segurar matriz e reduzir o volume ofertado, o mercado naturalmente reage. E com a demanda externa ainda forte, o Brasil continua muito competitivo, o que sustenta esse movimento de alta”, destaca.

Apesar do cenário positivo, Tavares pondera que o mercado ainda exige atenção. “É um momento favorável, mas que precisa ser acompanhado de perto. O consumo interno e o ritmo das exportações serão decisivos para manter esses preços em patamares elevados. Qualquer oscilação nesses fatores pode trazer ajustes”, explica.

O atual contexto é visto por analistas como um possível ponto de inflexão no ciclo pecuário brasileiro, indicando que a fase de baixa pode estar ficando para trás. Caso os sinais se confirmem, o setor pode entrar em um novo período de maior firmeza nos preços, impactando diretamente as estratégias de produção e comercialização no campo.

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