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Fábio Thadeu Ferreira defende prevenção e diálogo na saúde masculina

Urologista e professor aborda cuidado no SUS, decisões compartilhadas e barreiras que ainda afastam homens do acompanhamento médico

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Dr. Fábio Thadeu Ferreira, urologista, afirma que a resistência na busca por atendimento médico deve mudar com informação, acompanhamento regular e decisões sobre a própria saúde.

Urologista e professor aborda cuidado no SUS, decisões compartilhadas e barreiras que ainda afastam homens do acompanhamento médico

A resistência de parte dos homens em procurar atendimento médico ainda aparece de formas distintas. Pode estar no receio de um exame, na vergonha de falar sobre sexualidade ou na decisão de conviver com sintomas até que eles interfiram na rotina. Para o urologista Fábio Thadeu Ferreira, mudar esse comportamento exige informação, acompanhamento regular e espaço para que o paciente participe das decisões sobre a própria saúde.

Mineiro, nascido em Belo Horizonte e criado em São Sebastião do Paraíso, ele deixa o interior para cursar Medicina na Universidade Estadual de Campinas. A escolha profissional vem da infância. A definição pela Urologia acontece durante a formação em Cirurgia Geral, quando encontra uma especialidade capaz de reunir atendimento clínico, cirurgia e incorporação de novas tecnologias.

“A Urologia me atrai pela amplitude. Podemos acompanhar questões clínicas e, em outros momentos, atuar em cirurgias de grande complexidade. Isso exige estudo permanente e uma visão que não se limite à doença isoladamente”, explica.

Hoje, Fábio divide sua atuação entre consultório, centro cirúrgico, ensino e serviço público. Coordena a Urologia da Rede Mário Gatti, em Campinas, onde lida com uma demanda elevada e casos que frequentemente necessitam da participação de outras especialidades.

Prevenção ainda enfrenta barreiras culturais

O urologista percebe uma mudança gradual no comportamento masculino. Homens mais jovens começam a procurar acompanhamento mesmo sem sintomas, movimento que considera diferente daquele observado no início da carreira.

Alguns tabus, porém, permanecem. Entre pacientes mais velhos, o exame de próstata ainda pode despertar resistência. Quando a queixa envolve função sexual, a dificuldade muitas vezes está em admitir que existe um problema e procurar ajuda.

“Na sexualidade, a vergonha pode fazer o homem adiar uma avaliação durante meses. Nesse período, uma dificuldade inicialmente restrita à vida íntima pode começar a interferir no relacionamento e na rotina. Poder conversar sem julgamento muda a maneira como ele enfrenta o problema”, observa.

Familiares e companheiras frequentemente ajudam a romper essa barreira. Para Fábio, no entanto, a mudança mais consistente acontece quando o próprio paciente deixa de associar acompanhamento médico somente à presença de uma doença.

Sintomas urinários persistentes também merecem avaliação. Jato enfraquecido, aumento da frequência para urinar ou interrupções repetidas do sono não devem ser automaticamente tratados como consequência inevitável da idade.

O desafio do cuidado no serviço público

No Mário Gatti, a complexidade dos atendimentos acrescenta outra dimensão à prática. Há pacientes que precisam de uma consulta objetiva e outros que necessitam de retornos, participação familiar e mais tempo para compreender uma cirurgia ou um diagnóstico.

“Não existe uma duração ideal que sirva para todas as consultas. Algumas situações são diretas; outras exigem uma nova conversa ou a presença da família. O importante é reconhecer o que aquela pessoa precisa para compreender o que está acontecendo”, afirma.

Essa lógica se estende à escolha dos tratamentos. Para o urologista, a decisão médica deve considerar não apenas o que pode ser realizado tecnicamente, mas também quais consequências cada alternativa pode trazer para a vida do paciente.

Questões como continência urinária, função sexual, autonomia e efeitos adversos podem assumir pesos diferentes para cada pessoa.

“O conhecimento técnico orienta, mas não substitui os valores de quem vai viver aquele tratamento. Precisamos apresentar possibilidades, riscos e limitações de forma clara para que a decisão seja realmente compartilhada”, destaca.

Tecnologia com indicação

Cirurgia robótica, procedimentos minimamente invasivos e técnicas com laser fazem parte da Urologia contemporânea e de sua atuação.

Na cirurgia robótica, o equipamento permanece sob controle do cirurgião e pode oferecer recursos como visão ampliada e instrumentos articulados. A indicação, contudo, depende do diagnóstico, das condições clínicas e dos objetivos do tratamento.

Fábio evita associar avanço tecnológico a garantia de resultado.

“Uma ferramenta pode ampliar nossa capacidade técnica, mas não elimina riscos nem torna a Medicina previsível. É importante explicar com transparência o que a tecnologia pode oferecer e também quais são seus limites”, ressalta.

A mesma cautela aparece em sua relação com a inteligência artificial. No consultório, utiliza sistemas que auxiliam na transcrição das consultas, o que reduz o tempo dedicado à digitação.

“Quando uma tecnologia assume parte da tarefa administrativa, consigo concentrar mais atenção na conversa. Esse é um ganho importante: usar a ferramenta para devolver tempo ao encontro com o paciente”, conta.

Formação e próximos passos

Professor de Urologia na São Leopoldo Mandic, Fábio acompanha estudantes nos anos finais da graduação. Trabalha com casos clínicos e procura aproximar os alunos da realidade hospitalar, inclusive no serviço público.

Para ele, formar um médico não se resume a transmitir informação. As novas gerações têm acesso rápido a grande volume de conteúdo; o desafio é desenvolver critério para avaliar fontes, tomar decisões e compreender a responsabilidade envolvida no cuidado.

Nos próximos anos, pretende acompanhar recursos que permitam tratamentos menos invasivos quando houver indicação, ampliar possibilidades dentro do serviço público e permanecer ligado à formação médica.

A experiência também muda sua relação com o tempo. A urgência por respostas que marcava o início da carreira dá lugar a uma compreensão mais paciente sobre determinadas escolhas.

“A vida real nem sempre acompanha a organização dos livros. Algumas situações precisam de observação, conversa e tempo. A experiência ensina que cuidar também é saber respeitar esse processo”, conclui.

Fábio Thadeu Ferreira – CRM-SP 115801 – RQE 39172 Cirurgia Geral – RQE 39173 Urologia

Instagram: @dr.fabio.ferreira

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